A sertralina é um antidepressivo amplamente utilizado no tratamento de transtornos como depressão, ansiedade, transtorno do pânico, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e estresse pós-traumático. Por atuar diretamente na regulação da serotonina, ela costuma apresentar bons resultados clínicos e um perfil de segurança considerado favorável. Ainda assim, como qualquer medicamento de uso contínuo, pode gerar efeitos colaterais e a queda de cabelo é uma das preocupações que mais geram dúvidas entre pacientes.
Mas afinal, a sertralina realmente pode causar queda de cabelo? A resposta é: sim, pode acontecer, embora seja um efeito incomum, geralmente temporário e reversível. Entender como essa relação ocorre ajuda a reduzir o medo, evitar interrupções inadequadas do tratamento e buscar a melhor conduta quando necessário.
Qual é a relação entre sertralina e queda de cabelo?
A queda de cabelo associada ao uso da sertralina não é considerada frequente. Quando aparece, costuma estar relacionada a um quadro chamado eflúvio telógeno, um tipo de queda difusa que ocorre quando um número maior de fios entra precocemente na fase de repouso do ciclo capilar. Como consequência, esses fios se desprendem alguns meses depois, dando a sensação de queda acentuada.
Esse processo não causa falhas localizadas nem está ligado à calvície definitiva. O couro cabeludo permanece saudável e os folículos continuam ativos, o que significa que o crescimento dos fios tende a se normalizar após a estabilização do organismo ou ajustes no tratamento.
Por que a sertralina pode provocar esse tipo de queda?
Ainda não existe um mecanismo único completamente esclarecido, mas a literatura médica aponta que antidepressivos, incluindo a sertralina, podem interferir indiretamente no ciclo do cabelo por meio de alterações neuroquímicas e hormonais. A serotonina participa de diversas funções no organismo, e mudanças em sua regulação podem impactar processos metabólicos que influenciam o crescimento capilar.
Além disso, é fundamental considerar que os próprios quadros tratados com a sertralina como ansiedade crônica, depressão e estresse intenso, já são fatores conhecidos de queda de cabelo. Em muitos casos, o medicamento não é a causa isolada, mas sim parte de um contexto em que o organismo passou ou ainda passa por um período de sobrecarga física e emocional.
Quando a queda costuma aparecer?
Quando relacionada ao uso da sertralina, a queda de cabelo geralmente não é imediata. Ela tende a surgir entre dois e quatro meses após o início do tratamento, exatamente o tempo correspondente ao ciclo do eflúvio telógeno. Por isso, muitas pessoas só associam o sintoma ao medicamento semanas depois, quando percebem aumento de fios no banho, no travesseiro ou na escova.
Esse intervalo pode gerar insegurança, mas é importante destacar que a queda não costuma se intensificar progressivamente nem levar à perda permanente dos cabelos.
A queda de cabelo é definitiva?
Na grande maioria dos casos, não. A queda associada à sertralina costuma ser temporária e reversível. Com o passar do tempo, o organismo pode se adaptar ao medicamento e o ciclo capilar se reorganiza naturalmente. Em outras situações, o médico pode optar por ajustar a dose ou avaliar a troca por outro antidepressivo, caso o impacto estético esteja causando sofrimento significativo ao paciente.
Após a resolução do fator desencadeante, o crescimento dos fios tende a ocorrer de forma gradual, respeitando o ritmo natural do cabelo.
O que fazer ao perceber queda de cabelo durante o uso da sertralina?
O ponto mais importante é não interromper o uso do medicamento por conta própria. A suspensão abrupta da sertralina pode provocar sintomas de descontinuação e agravar o quadro emocional, trazendo riscos maiores do que o próprio efeito colateral.
Ao notar aumento da queda, o ideal é conversar com o médico responsável pelo tratamento. Esse profissional poderá avaliar se há relação direta com o medicamento ou se existem outros fatores associados, como deficiência de ferro, alterações hormonais, problemas na tireoide, uso de outros medicamentos, infecções recentes ou estresse prolongado.
Em alguns casos, a investigação revela que a queda não está ligada à sertralina, mas a condições paralelas que podem ser tratadas de forma específica.
Vale a pena parar o tratamento por causa da queda de cabelo?
Na maioria das situações, não vale. A sertralina desempenha um papel importante no controle de transtornos que afetam profundamente a qualidade de vida. Quando a queda de cabelo ocorre, ela tende a ser transitória e manejável, enquanto os benefícios do tratamento para a saúde mental costumam ser duradouros e essenciais.
O cuidado com a saúde emocional não deve ser negligenciado por medo de um efeito colateral raro. Pelo contrário: equilíbrio emocional, acompanhamento médico e informação de qualidade são aliados tanto da saúde mental quanto da saúde física incluindo a dos cabelos.
Leia este outro artigo e conheça mais sobre nosso blog – Salmonela: como ocorre a infecção e cuidados essenciais


