Nas últimas semanas, autoridades de saúde ao redor do mundo — e agora no Brasil — chamam a atenção para uma variante do vírus influenza A, popularmente apelidada de gripe K.
Trata-se de uma variação genética do vírus da gripe sazonal (H3N2) que já circula há décadas, mas que sofreu uma pequena alteração em sua estrutura. Essa mudança não significa necessariamente que estamos diante de um novo vírus ou de uma pandemia, mas é um sinal de que o vírus continua a evoluir, como já acontece todos os anos com a influenza.
O Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso dessa variante no Brasil, identificado em amostras coletadas no estado do Pará, conforme o Informe de Vigilância das Síndromes Gripais da semana epidemiológica 49 de 2025. Trata-se do subclado K (e também J.2.4) do vírus influenza A (H3N2).
Vale destacar que a circulação de influenza A H3 sazonal já vinha crescendo no país antes da confirmação dessa variante, inclusive com aumento de outros vírus respiratórios.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta global diante do aumento de casos da gripe K em regiões como Europa e Ásia, reforçando a importância de atenção contínua às doenças respiratórias e à vacinação.

O que diferencia a gripe K das gripes comuns?
Tecnicamente, a gripe K não é um vírus completamente novo, mas sim uma variante do vírus influenza A (H3N2). Essa variante surgiu devido a uma mutação genética na superfície do vírus, que altera ligeiramente o que o sistema imunológico reconhece.
Especialistas explicam que essas mudanças são comuns no vírus da gripe — o que exige atualizações constantes das vacinas anuais. A gripe K, embora esteja associada a um aumento de casos em algumas partes do mundo, não apresentou até agora um padrão de gravidade diferenciado em relação às gripes sazonais convencionais.
Em termos práticos, isso significa que os sintomas são muito semelhantes aos de uma gripe tradicional, como:
- febre com início súbito
- congestão nasal e coriza
- tosse
- dor de garganta
- dor de cabeça
- mal-estar geral
Esses sintomas não permitem distinguir clínicamente a gripe K de outras formas de influenza ou mesmo de resfriados comuns. Diferenciações só são possíveis por meio de exames laboratoriais específicos.
Quem corre mais risco?
Como em outras infecções gripais, a gripe K pode evoluir de forma mais complicada em alguns grupos específicos, incluindo idosos, especialmente acima de 60 anos, gestantes, crianças pequenas, pessoas com o sistema imunológico comprometido e indivíduos com doenças crônicas, como cardiopatias, doenças respiratórias e metabólicas.
Nessas pessoas, a infecção pode evoluir para quadros como pneumonia, sinusite, otite, desidratação ou até descompensar doenças pré-existentes.

Medidas de proteção contra a gripe K
- Vacinação anual contra a gripe: a vacina disponível protege contra o vírus influenza A, incluindo a cepa H3N2, e continua sendo a principal forma de reduzir casos graves, hospitalizações e mortes, mesmo diante de pequenas mutações como a encontrada na gripe K.
- Higienização das mãos: lavar as mãos com frequência ou usar álcool em gel reduz a transmissão de vírus respiratórios.
- Ambientes ventilados: manter janelas abertas e boa circulação de ar diminui a concentração de vírus suspensos no ar.
- Etiqueta respiratória: cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar evita a dispersão de gotículas.
- Evitar contato próximo com pessoas doentes: principalmente em surtos ou quando surgem sintomas gripais.
- Uso de máscara quando necessário: em locais com circulação viral elevada, especialmente para grupos vulneráveis.
- Hidratação e descanso adequados: apoiam o sistema imunológico e aceleram a recuperação.
A vacina protege da gripe K?
Sim — e essa é uma notícia importante. A vacina contra gripe atualmente utilizada é formulada para combater as cepas de influenza mais prevalentes em circulação, incluindo a influenza A (H3N2). Mesmo que a variante K tenha pequenas diferenças genéticas, a vacina continua eficaz para reduzir a gravidade da doença, diminuindo o risco de hospitalização e complicações sérias.
É importante entender que nenhuma vacina contra influenza garante 100% de proteção contra infecção. O objetivo principal é proteger contra as formas graves da doença. Por isso, manter a vacinação anual em dia é uma das melhores estratégias de saúde pública — não apenas para proteger o indivíduo, mas também para reduzir a pressão sobre o sistema de saúde como um todo.
Além disso, o tratamento antiviral padrão para casos de influenza — como o uso do medicamento oseltamivir em situações específicas — segue sendo eficaz para pessoas que contraem gripe K, quando indicado por um médico.

Precauções adicionais em tempos de circulação viral
Mesmo com a chegada de uma variante como a gripe K, os cuidados de prevenção continuam sendo os mesmos recomendados para outras gripes sazonais. Evitar aglomerações quando há surtos, manter boa higiene e buscar atendimento médico ao surgirem sintomas persistentes são atitudes que fortalecem sua proteção e reduzem o impacto da doença na população.
Ao sentir sintomas gripais, é fundamental procurar orientação profissional para avaliação clínica adequada, especialmente se houver sinais de piora, como falta de ar, febre persistente ou dor no peito.
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